terça-feira, outubro 30, 2012

Ayrton Senna do Brasil!

Para terminar o mês das crianças com chave de ouro, mais uma da minha infância. Tou aqui assistindo um documentário sobre o Ayrton Senna e me acabando de chorar... De saudade. Saudade daquele jingle gostoso e do grito do Galvão Bueno, "Ayrton Senna do Brasil!"
Qualquer brasileiro que viveu nos anos 80 ou 90 lembra dessa famosa fala.
Senna era nosso herói. Ele começou como um ninguém. Mocinho de classe média-alta, é verdade, mas um ninguém de um país de terceiro mundo no mundo da Fórmula 1. Se destacou no kart, chegou à Fórmula 1 em 84 e logo mostrou a que veio. Surpreendia a todos com sua genialidade. Nas pistas molhadas, era rei. Ganhou três mundiais e mais pole-positions que qualquer piloto na história. Ayrton se tornou o grande fenômeno da Fórmula 1. Era um lutador que veio, viu e venceu. Mas não se esqueceu do Brasil, esse país sofrido e cheio de injustiças. A nossa bandeira foi algo que ele sempre levou com orgulho. O menino rico sequer se esqueceu dos pobres de seu país. Em segredo, doava fortunas a crianças pobres e, ainda em vida, criou o que seria o Instituto Ayrton Senna.

 Imaginar minha infância sem ver o Senna correr - e ganhar? Não consigo. Domingo era dia de ir à igreja e de ver o Ayrton ganhar. Ganhar e levar, com orgulho, nossa bandeira com ele. Numa época em que a gente tinha tão pouco do que se orgulhar nesse país, cada vitória sua era uma vitória do povo brasileiro.

E quem de nós que viveu os anos 90 jamais esquecerá as palavras do Roberto Cabrini, "Morreu Ayrton Senna da Silva. Uma notícia que a gente nunca gostaria de dar. Morreu Ayrton Senna da Silva." Um dia negro na história do Brasil. Um dia negro na minha história.  

Ele se foi tão cedo, mas deixou sua marca em cada brasileiro. E a mensagem de que a gente que nasce nessa terra tupiniquim pode dar certo.
Senna foi e sempre será o grande herói da minha infância.

segunda-feira, outubro 29, 2012

Bahia - terra da felicidade

O jingle do ACM começava assim - "Você se lembra de mim? Eu nunca vi você tão só. Ó meu chamego, meu xodó, minha Bahia!"

Pelo que vi ontem no facebook, ACM Neto poderia ter cantado o mesmo jingle nessas eleições. Todos estavam tão desesperados com a situação decadente dessa caiptal baiana linda, que O ACM Neto foi celebrado como herói simplesmente por ter sido eleito.

Eu não tenho acompanhado a política baiana. Só ouço falar dos desmandos, das loucuras e da politicalha.
Eu nunca gostei daquela história do rouba, mas faz, pq admitir que se é ladrão mas que é melhorzinho é uma bruta sacanagem.

Mas eu sei que no mundo real não existe ninguém 100% bom. Na verdade, segundo a palavra de Deus, ninguém é bom, ninguém faz o bem. Então eu acredito que, em vez de dizer rouba mas faz, digamos dos males o menor. Esperemos que esse prefeito eleito, seja um político que lute pelos interesses da cidade e que faça o melhor pelos cidadãos soteropolitanos.

Mas, pela mesma filosofia de que ninguém é 100% bom, não vamos nos esquecer que político nenhum é herói, político nenhum traz a salvação da pátria. Eu não quero saber pra quem você votou - o seu candidato não é um herói. Não é nem nunca vai ser. Não vamos admitir que roubar é normal! Ele faz? Ok, então vamos colocá-lo no poder e vijiar o carinha para que ele não roube ... muito.

Você cidadão, que foi e votou e comemorou sua vitória nas urnas, e mesmo você, que sabe-se lá porque cargas d'água tenha votado no outro, você ainda tem uma tarefa a cumprir, o seu dever civico não terminou.

Acompanhe, cobre, critique aquilo que merecer criticas e louve aquilo que merecer louvores. Não engula sapo, não se acomode, não espere pelos próximos quatro anos. Conheça seus vereadores, escreva-lhes manifestando sua opinião, se informe e faça ouvir sua voz. E se sua voz não for ouvida durante o mandato desses homens, deixe o recado nas urnas nas próximas eleições. Mas não espere até lá para agir novamente.

Política é parte da vida de uma comunidade. Cidadãos politizados são a parte essencial de uma democracia. Só com cidadãos politizados a politica não vira politicalha. Só com cidadãos politizados os homens colocados no poder não fazem de nós gato-e-sapato. Só com cidadãos politizados se constrói uma democracia evoluida e honrada.

Vendo a politica Americana e Brasileira através da história percebo que quando cidadãos não estão apáticos à vida pública, os homens colocados no poder entendem que tem que prestar contas a um poder maior que eles - seus eleitores.

Termino esse post com uma grande verdade que escutei a vida toda:
O destino de quem não se interessa por política é ser controlado por quem se interessa. Você quer ser controlado por outros de cuja moral e bons costumes você duvida? Ou prefere se interessar e mantê-los sob controle?

sábado, outubro 20, 2012

Piriguete Vs. Garanhão

Não resisti e acabei assistindo o último capítulo da novela das 8. Tava todo mundo falando, todo mundo comentando, altas emoções, etc. e tal. Então lá vou eu. Clico no site da Globo e boto lá o último capítulo da Avenida Brasil.
Realmente, muita adrenalina. Gostei. Exceto pela parte do Cadinho. Fala sério! O cara casou com as três? Peraê, véi!
Primeiro de tudo, que bando de otária, viu! Dividir o homem delas com outra? Eu não divido meu homem com ninguém! Tudo bem que nós temos nossos namorados imaginários, como a Mariana Ximenes e o Paul McCartney. Mas na vida real, é bom que seja só eu e ele, se tem ele algum amor à vida.
Segundo de tudo, homem com uma em cada esquina pode, né? Se fosse mulher, era piriguete, vadia, vagaba. Que nem a tal da piriguete da Suelen. Mas como é homem, é garanhão, é irresistível, é cheio de amor pra dar, tá tudo bem... Ah! Me faça uma garapa. Tem coisas que eu não engulo.

sexta-feira, outubro 12, 2012

Brasileiros e as várias temperaturas

Transcrição de video do YouTube.

30ºC ou mais
Baianos vão à praia, dançam, cantam e comem acarajé.
Cariocas vão a praia e jogam futebol. 
Mineiros comem um ‘queijin’ na sombra.
Todos paulistas estão em Santos, enfrentando 2 horas de fila nas padarias e supermercados.
Gaúchos esgotam os estoques de protetor solar.
25ºC
Baianos não deixam os filhos saírem ao vento após as 17 horas.
Cariocas vão à praia, mas não entram na água.
Mineiros comem um feijão tropeiro.
Paulistas fazem churrasco na casa de Santos, mas já não entram na água.
Gaúchos reclamam do calor e não fazem esforço devido ao esgotamento físico.
20ºC
Baianos mudam os chuveiros para a posição ‘Inverno’.
Cariocas vestem um moletom.
Mineiros bebem pinga perto do fogão a lenha.
Paulistas decidem voltar de Santos e o trânsito vira aquele inverno.
Gaúchos vão tomar sol no Parque da Redenção.
15ºC
Baianos tremem incontrolavelmente de frio.
Cariocas se reúnem para comer fondue.
Mineiros continuam bebendo pinga perto do fogão a lenha. 
Paulistas ainda estão presos nos congestionamentos na volta de Santos.
Gaúchos começam a dirigir com os vidros abaixados pra entrar uma fresquinha.
10ºC
Decretado estado de calamidade pública na Bahia.
Cariocas usam sobretudo, cuecas de lã, luvas e touca. 
Mineiros continuam bebendo pinga e colocam mais lenha no fogão.
Paulistas já voltaram de Santos e vão todos pra mesma pizzaria no mesmo shopping center engarrafando a cidade.
Gaúchos começam a cogitar a possibilidade de botar uma camisa de manga comprida.
5ºC
Bahia entra no Armageddon.
César Maia lança a candidatura do Rio para as olimpíadas de inverno.
Mineiros continuam bebendo pinga e quentão ao lado do fogão a lenha.
Paulistas lotam hospitais e clínicas devido doenças causadas pela inversão térmica.
Gaúchos dão uma fechada nas janelas de casa.
0ºC
Extingue-se a vida na Bahia e no Nordeste inteiro.
No Rio, César Maia veste 7 casacos e lança o ‘Ixxnoubórdi in Rio’. 
Mineiros entram em coma alcoólico ao lado do fogão a lenha.
Paulistas não saem de casa e dão altos índices de audiência a Gilberto Barros, Gugu Liberato, Luciana Gimenes e Silvio Santos. 
Gaúchos fazem um churrasco no pátio, antes que esfrie.
Fonte:http://bobagento.com/brasileiros-em-varias-temperaturas/

segunda-feira, outubro 08, 2012

Peter Pan e o Menino Maluquinho

Acho que a maioria de nós que crescemos no século XX conhecemos a história do Peter Pan, o menino que não queria crescer. Ele vivia num lugar chamado Terra do Nunca. Ele sabia voar entre o nosso mundo e o dele. Sabia lutar contra o malvado Capitaão Gancho. Ele só não sabia crescer.

Quando eu tinha seis ano de idade descobri o poema do autor romântico Casimiro de Abreu "Meus Oito Anos".  "Ah que saudades que tenho da aurora da minha vida, da minha infância querida, que os anos não trazem mais"... Casimiro morreu aos 21 anos, havia mal-começado a vida adulta, e já lhe fazia falta a infância....

O que é que o Casimiro sabia? Que o Peter Pan sabia? E eu? O que eu sabia? Eu tinha só seis anos e já sabia que aquele seria para sempre o meu poema favorito. ... Eu nunca quis crescer. Eu sabia sim que eu tinha uma coisa muito especial que não ia durar pra sempre. E não durou mesmo. Veio o tempo e levou ela de mim.

A primeira vez que percebi isso foi no dia que, no parque de diversões, me barraram de entrar no pula-pula. Grande demais, eles disseram. Grande demais? Mas no ano passado eu entrei! Como é que sou grande demais? Foi o tempo. Anos depois, no terceiro do colegial, a professora deu pirulito para todos os vestibulandos no dia das crianças... E comentamos entre nós que na faculdade não ia ter pirulito no dia das crianças. Ano que vem ninguem ia olhar pra gente e ver a criança... era o tal do tempo de novo. O tempo sem dó, que nem o Menino Maluquinho conseguiu segurar. O tempo veio e fez a gente crescer.


Tantas crianças por aí querendo crescer logo, querendo ser gente grander. Ah, nunca entendi porquê. Por que vc quer deixar a parte mais tranquila da sua vida? A mais sem cuidados? Aquela parte onde tudo é possivel, e onde sonho e realidade são quase que uma coisa só? Tantas crianças por aí tendo que crescer logo - por falta de opção que a vida lhes dá. Tendo que ser gente grande, se cuidar e cuidar de outros às vezes. Tantas crainças por aí tendo que arcar com responsabilidades que a vida lhes trouxe cedo demais. E vc quer abrir mão da sua infância querida por livre e espontânea vontade? Por quê?


Crescer é divertido às vezes, é verdade. Crescer é viver. A vida é feita de experiencias. Uma atrás da outra. E a cada nova experiencia, mas um pouquinho da criança vai embora. Mais um pouquinho do adulto vai chegando. Crescer leva tanto de nós consigo... tantas coisas que nunca poderemos ter de volta. A ingenuidade infantil não volta nunca mais. A falta de cuidados ... bem, essa pode até voltar, mas... se voltar vai te dar tanto problema... melhor não. Crescer é aprender a ser responsável por si e por outros. E aprender que a única escolha sensata é ser responsavel.

Crescer, disse um personagem do Marco Nanini, é ir lentamente se distanciando dos pés. Verdade, depois que aquela barriguinha cisma de sentar ali no meio, aquele pezinho que antes vinha até a boca, nunca mais vai chegar perto com a mesma agilidade. Então é verdade. Crescer é inevitável. Que triste destino esse nosso - nós, classificados como seres vivos lá na aula de ciências, lá na quarta série do ensino fundamental - nascem, crescem, reproduzem, envelhecem e morrem. Tá lá - escrito no dever de casa, na prova, no livro texto. Assim como o tal do envelhecer e morrer, crescer é mesmo inevitável. ...

Pára! Pára tudo! Quem disse? Crescer por fora é invitável sim. Deixar de ser criança lá dentro? Ah, aí é opcional, meu irmão. Ser criança é saber sonhar, saber brincar, correr e pular, é se encantar com as coisas pequenas vida como se fossem grandes coisas. É cantar em voz alta, dançar e fazer palhaçada e não estar nem aí pra quem tá olhando ou deixando de olhar.

Um dia, disse o Ziraldo, o Menino Maluquinho cresceu. Cresceu e virou um cara legal. Mas um cara legal mesmo. Ele virou o cara mais legal do mundo. e foi aí, que todo mundo descobriu que ele não tinha sido um menino maluquinho. Ele tinha sido um menino feliz.

Eu acho que o Menino Maluquinho nunca deixou de ser criança lá dentro.

Se vc me der

Coisa de noveleiro mesmo .... Mad pra quem curtiu a novela como eu, nada como relembrar Chayene e Fabian cantando:

http://globotv.globo.com/rede-globo/cheias-de-charme/t/musicais/v/cap-1604-cena-chayene-e-fabian-arrasam-no-palco/1906732/

Se vc me der (interpretada por Chayene e Fabian)

Se vc me der, eu quero um pouco de carinho
Se vc me der, eu quero bem devagarinho, vai, vai, vai
Se vc me der, me dá daquele bem safado
Se vc me der, eu vou ficar apaixonado

Me bateu um calor, de um amor bem sacana, vc não me engana
Um amor sem pudor, de rasgar a fronha, bem sem vergonha
Me faz sua presa, vem me devorar, faz a cena imperdível,
Percorra meu corpo de um jeito gostoso, como tou sensível,

Se vc me der, se vc me der, se vc me der
Do que sou capaz, vc pede mais, amar nunca é demais.

segunda-feira, outubro 01, 2012

Foi-se Hebe Camargo

Foi-se Hebe Camargo. De pouquinho em pouquinho vão se indo todos aqueles que a vida inteira eu achei q sempre estariam lá. Mas ninguém fica pra semente. A morte é a única certeza da vida. E quanto mais a gente cresce e qto mais pessoas a gente perde, mais certa é essa verdade. Da morte nenhum de nós pode fugir. Foi-se mais uma. A nossa vez está cada vez mais próxima.

quarta-feira, setembro 26, 2012

pagamento minimo

Meu cartão de crédito me mandou a fatura desse mês. Nada além do ordinário. La estavam minha despesas, meus reembolsos (por umas compras que fiz e devolvi pra loja 10 minutos depois - pois achei mais barato na loja vizinha), data de pagamento e pagamento minimo. Sim, claro, o famoso pagamento minímo! Aquela quantia mais palatável que você pode pagar todo mês sem afetar seu crédito na praça.
Foi esse pagamento mínimo que chamou minha atenção.
O pagamento minimo, imagine vc, é de $2,52
...
$2,52 ....
Caraca!!!! Dá pra imaginar? Pagar $2,52 por mês de uma fatura de cartão de crédito? É pá rí é?

Digamos que eu nunca mais usasse esse cartão. Digamos ainda que juros não incorressem no meu saldo devedor a cada mês. Quer adivinhar aí - só um chutezinho, nem precisa fazer conta... adivinha quanto tempo eu ia levar para terminar de pagar a minha fatura se todos os meses eu fizesse esse pagamento mínimo!

Rapaz, eu não pude resistir. Sentei-me e fiz a bendita conta. Quer saber? Tá pagamento pra saber? Pois então passa sacolinha aí, vai. Eu tava até precisando de um dinheirinho extra. Aqui vai a resposta:

64 anos!!!!  Essa fatura deu à canção do Paul McCartney "When I'm 64" um significado completamente novo e esclarecedor...

sábado, setembro 22, 2012

Puff - O Dragão Mágico

Puff O Dragão Mágico
Tradução livre de Puff the Magic Dragon por Vika Winters

Puff, o dragão mágico,
vivia perto do mar
num país chamado Honolee
e gostava de brincar
Seu melhor amigo 
era o pequeno João
que lhe trazia bolas de gude, 
pipas e um pião.

Oh, Puff o dragão mágico
vivia perto do mar
num país chamado Honolee
e gostava de brincar

Juntos viajavam 
num barco a vela os dois amigos, 
João montado na cauda de Puff, 
viajava contra os perigos
Muitos reis e príncipes 
Se curvavam quando os viam
E piratas abaixavam 
suas bandeiras quando ouviam

Puff o dragão mágico
vivia perto do mar
num país chamado Honolee
e gostava de brincar

Um dragão vive eternamente
mas garotinhos não
Bolas de gude e piões
dão lugar a outras diversões
Um dia aconteceu, Joãozinho não voltou
E a voz do poderoso dragão
não mais se escutou

Andava cabisbaixo
Escamas verdes a cair 
Ele não ia mais brincar
Nos bosques de Honolee
Sem o seu melhor amigo
sua coragem desapareceu
Então o poderoso dragão
em sua caverna se escondeu.

Oh, Puff o dragão mágico,
vivia perto do mar
num país chamado Honolee
e gostava de brincar

sábado, setembro 15, 2012

estudar, trabalhar

Faz tempo que a idéia de que mulher pode e deve trabalhar se tornou tolerada, depois aceita, após isso louvada, e hoje comum.

Infelizmente isso fez com que se criasse uma rixa entre dois tipos de mulheres.

As mulheres que trabalham no lar sejam olhadas de forma baixa, como se elas não tivessem alcançado seu potencial. Como se fossem seres simplistas e de pouca ambição.

As pessoas falam como se ser eposa e dona de casa fosse um trabalho menos honrado, ou que requeresse menos esforço.
Com o passar do tempo as mães das novas gerações, com medo de serem intransigentes e retrogadas, incentivaram as filhas a não buscarem o casamento e a vida de dona de casa. Mas sim a vida do trabalho assalariado, fora de casa.
Ninguém parece se lembrar que tanto ha que se fazer numa casa para que tudo esteja sob controle. Ninguém parece se lembrar que crianças passam a ser criadas e educadas por empregadas e babás - trabalhadoras assalariadas que fazem o trabalho que outrora pertencia à dona de casa.
Por muitos anos as mães passavam às filhas seus conhecimentos sobre como manter uma casa e uma familia. Esses conhecimentos se perderam quando as mães com medo de criar filhas do século passado passaram a incentivá-las a não se ligar nessas coisas. Cozinhar? Costurar? Manter uma horta? Lidar com problemas de filhos no dia a dia? Tudo isso o dinheiro pode comprar.
A dona de casa é vista como um ser simples e ignorante. Mas tanto sabiam as donas de casa que cuidavam de sua casa com esmero. Uma sabedoria perdida, pq todo o serviço da casa passou a ser terceirizado.
Uma sabedoria que foi desvalorizada pela nossa sociedade ocidental pq nunca trouxe renda. Apenas possibilitava que outros na casa fizessem os serviços que traziam a tal renda. Ou seja a sabedoria que era a base de tudo.


As mulheres que trabalham fora por outro lado, muitas vezes sao desdenhadas por aquelas que trabalham em casa. As donas de casa que criam seus filhos fazem poucos das mães que tem que trabalhar dobrado - para cuidar de seu lar e para financiá-lo. Hoje em dia existe uma escolha. Você pode escolher ser só dona de casa. POde escolher só trabalhar fora. OU pode escolher os dois. Todas essas escolhas tem prós e contras. Se vc escolhe só trabalhar fora, delega a outro o cuidado com seu lar. Se escolhe só trabalhar em casa, tem que lidar com restriçoes financeiras. Se quer fazer os dois, ambos os lados saem prejudicados.
Mas muitas vezes essa escolha é feita pq ou se trabalha fora ou os filhos passam fome. Talvez uma escolha dura e cruel, mas uma escolha de qualquer forma.

Entao temos as mulheres que trabalharam duro para sustentar seus filhos, mal vistas por aquelas que escolheram as restricóes financeiras de ser donas de casa. Ou que escolheram ser donas de casa pq o marido podia bancar um estilo de vida do agrado de ambos. As mulheres que tem que trabalhar fora para trazer o sustento do lar, ou para manter o padrao de vida que considera minimamente aceitável (sim pq as pessoas tem suas concepçoes do que é um padrao de vida minimamente aceitavel, e violar tais concepçoes pode trazer muito desgosto para uma vida.) são vistas como pessoas que não se importam com a criação de seus filhos ou o bom funcionamento de seu lar. Quem trabalha fora não se importa com as criancás ou com o marido.

As mulheres estao portanto dividas em duas categorias e desunidas. Uma se achando sempre superior a outra. Tudo seria tao diferente se todos vissem o trabalho domestico como complemento do trabalho fora de casa. Um nucleo familiar tem que lidar como esses dois tipos de trabalho, pq um traz a renda, o outro a administra. Ambos requerem treinamento, estudo. É dificil enxergar isso num mundo de microondas e comidas prontas, aspiradores inteligentes e maquinas de lavar e secar que já deixam a roupa pronta pra vestir. Num mundo onde a TV e o computador educam as crianças desde os tempos da Xuxa. É dificil entender como o trabalho domestico requer estudo. Mas na hora que falta grana para as modernidades da vida, e vc tem que se virar sozinho pra alimentar e vestir uma familia, ou mesmo na hora que vc quer frutas frescas em vez de enlatadas e quer compra-las na feira ou mesmo no mercado. Nessa hora vc vai ver que tudo aquilo que a mae da mae da mamae sabia e nao passou adiante antes de seu ultimo adeus era tao precioso. Tao mais precioso que aquelas informacoes contidas em livros universitarios lidos pelos futuros arquitetos, economistas, e cientistas...

roubalheira no mercado

Ontem no pricerite eu peguei uns porta-verduras. Todos por 1.49. Só que o porta-tomate estava com uma etiquetinha dizendo 2.49. O carinha do caixa qdo viu a diferença entre a etiqueta e o mostrador do caixa, chamou o gerente.
O gerente veio, olhou e começou a operaçao para modificar o preço no caixa. Esses dois sao mais caros, vao sair por 5 dolares , pq cada um é 2.49.
Serio? O cara veio aumentar o preço da zorra?
“entao pode tirar. Eu so peguei pq na prateleira tinha o preço de 1.49. Nao vou pagar 5 dolares por esses dois porta-tomates.” Nao mesmo!!!
“ah, entao, ja que tava na prateleira, eu vou fazer por esse preço pra voce.”
Normalmente qdo o gerente baixa um preço errado pra mim, eu rio e agradeço. Mas, me desculpe, dessa vez eu nao ri. Simplesmente disse, “nesse caso eu levo.” Ele nao fez nada alem da obrigaçao dele. Baixar o preço para o que estava indicando no mostrador. Pq ele veio pra o caixa para alterar o preço para mais. Ve se tem cabimento!!!!
Nao ri nem agradeci. Nao me dei ao trabalho.
É nessas horas que a gente, se nao tiver de olho no mostrador do caixa, se estrepa. O bicho na prateleira barata com a etiqueta cara. Eles claro que vao querer de cobrar o mais caro esperando q vc nem se de conta na hora nem verifique a nota fiscal em casa.
Me faça uma garapa!!!!

domingo, setembro 09, 2012

O beija-flor


Há muito tempo atrás, houve um incêndio na floresta. Todos os animais da floresta começaram a fugir. No meio de toda essa confusão, enquanto leões, leopardos, macacos, pássaros, girafas, elefantes, ursos e tatus tentavam salvar suas vidas, um beija-flor voava e para lá e para cá.
O beija-flor voava até um riacho, pegava uma gota de água em seu bico, em seguida, voava de volta para o fogo e soltava o pingo de água. Ele fez isso várias vezes, até que um dos animais, percebendo sua atitude, riu-se dele, e perguntou: "O que você está fazendo, beija-flor? Você não vê que nunca vai apagar este incêndio sozinho?"
O beija-flor respondeu: "Eu estou fazendo a minha parte."

domingo, setembro 02, 2012

Jovem de oitenta anos e seu trágico fim

Era uma jovem senhora de oitenta anos. Tinha tanta historia para contar … se soubesse falar. Mas ela não falava. Não sabia. Contava sua história em suas rugas, em seu tamanho. Deixava a cargo de outros o narrar. E uma coisa ela fazia bem – estava sempre lá, para todos nós. Calma, imponente, frondosa. Como uma mãe que olha por seus filhos com sabedoria. Quantas vezes a ignoramos. Quantas vezes pensamos que sempre estaria lá. Debaixo de sol e chuva, vento e neve.

Até que, um dia, vieram atrás dela. Foi numa terça-feira. Quando saí pra trabalhar ela ainda estava lá.
E, naquele dia, eles vieram. Sem dó nem piedade, a derrubaram. Ela não disse nada, não pediu ajuda. Não podia. Não sabia. Ficou calada … até sua morte.

Quando voltei para casa não mais a vi. Nem sinal. Idos eram seu tronco, seus galhos, suas folhas. Ela se foi. Para nunca mais voltar. Apenas o todo ainda ali. Apenas o toco ainda nos lembrava que ela existiu. Por oitenta anos ela existiu. E se foi sem avisar. Sem que eu pudesse sequer me despedir.

Quem era ela? Há oitenta anos, ela foi plantada pelo nosso vizinho, e por sua turminha da alfabetização, na frente da escolinha onde eles estudavam. Uma homenagem ao diretor que se aposentava. Por oitenta anos essa homenagem cresceu e nos deu sua sombra e proteção. ... Até o dia que pessoas inescrupulosas vieram para destrui-la. Sem pena. Sem dó. Sem sequer o direito de fazê-lo.

Debaixo de suas raizes, protegia um segredo, uma capsula do tempo. Capsula que nosso vizinho e seus colegas esperam ainda encontrar. E prestar-lhe enfim essa ultima honra. Ao menos a dignidade de ter o seu segredo, a ela confiado e mantido até a morte, resgatado.

 A mim, só me resta dizer, "Adeus".

domingo, agosto 26, 2012

montanhas-russas e alturas


Ok, então eu sou covarde, ok! Sim, eu tenho medo de altura, Droga! Eu admito!
Dean e eu adoramos encontrar novos lugares para ir para uma caminhada e dia desses seguimos os trilhos do trem até uma ponte.
Ele me pediu para andar pela ponte da trilha com ele. Eu disse que sim, claro! Mas, assim que eu olhei para baixo, eu comecei a hiperventilar. Ele já estava a meio para o outro lado, e lá estava eu​​, olhando para baixo, hiperventilando, petrificada.
Ele riu de mim.
Peraí ... Ele riu de mim?? NINGUÉM RI DE VIKA! ... Bem, exceto seu próprio marido.

Agora, espere um minuto, você pergunta, como é que um fã de montanha-russa tem medo de altura? Simples, muito simples, meu amigo - Medo me excita, desde que eu saiba que não pode me machucar. As pessoas não mergulham para a morte ao entrar numa montanha-russa. Exceto, é claro, no caso da garota no parque Hopi Hari, que foi ejetada de um assento defeituoso da Torre Eiffel. Mas, pense comigo, se há uma chance de um assento de um brinquedo estar defeituoso e matar, quanto maiores são as chances de que, ao andar em pontes de trilhos de trem abandonadas, há meio kilometro acima de um rio, você pise em falso numa parte com a peça faltando ou com madeira podre e caia para sua morte!

Sabe quando eles dizem nos filmes, "não olhe para baixo!" e alguém olha para baixo? E então ele cai e morre, não é mesmo? Bem, eu aposto um milhão de dólares que essa pessoa seria eu:
"Vika, não olhe para baixo!"
E, na minha lápide, se vai ler, "Suas últimas palavras foram 'O quê?'"

segunda-feira, agosto 20, 2012

Trilha Sonora da Vida

Você imagina sua vida com uma trilha sonora? Você tem uma música tema? Eu não posso imaginar minha vida sem música de fundo. E, para tudo o que faço, há uma música de fundo tocando na minha cabeça.

  Parece estranho? Como poderia ser diferente? Se você cresceu na mesma época que eu, e na mesma situação que eu estava, você vai entender isso.

Eu cresci em uma época onde as vidas de pessoas, reais e imaginados, eram contadas na TV todos os dias, o tempo todo, como séries, shows, novelas, filmes, vídeos musicais, comerciais e qualquer outra coisa que ​​coubesse na tela pequena de luz azul.

Eu também cresci em uma época em que podiamos levar a nossa música com a gente em todos os lugares que íamos. No carro, na bolsa, ligado a nossos corpos.

A todo lugar que eu vou, há música tocando. O shopping, a loja, o restaurante, a escola. A música sempre está ao fundo.

Como eu poderia ver a vida de outra maneira, senão com uma trilha sonora?

segunda-feira, agosto 13, 2012

Limpar o sangue

No Brasil a gente diz, ou pelo menos dizia, que queria que os filhos casassem bem para limpar o sangue.

Limpar o sangue! Limpar o sangue queria dizer casar com alguém da pele mais clarinha em vez de casar com alguém da pele escura. Era pra tirar a negritude do sangue. Embranquecer a família. Porca miséria! Como se isso fosse bom!!!! Limpar o sangue!

É. Limpar o sangue. Nessa de limpar o sangue, eu perdi a boa pele de índio da que minha vó ainda pegou da família da minha bisa. Eu ainda dei a sorte de ter carinha de menina. Mas a pele que não envelhece nunca, essa eu não peguei. Peguei a pele de branco mesmo. Vai ficar enrrugadinha quando ficar velhinha. Pobres dos meus filhos, pois eu casei com um mais branco que eu. Aliás, ele nem acha que eu sou branca! Me faça uma garapa! Pobres dos meus filhos...

Nessa de limpar o sangue, eu perdi o cabelo escuro de minha bisa até os 86 anos. Minha bisa. Pois é, aos 86 anos, minha bisa tinha um punhado de cabelos brancos, e a maior parte da cabeleira toda negra. Já eu, nessa de limpar o sangue, desde os 17 anos eu tenho esses fios de cabelo branco me atazanando o juízo!

Pois é. Limpar o sangue. Nessa de limpar o sangue, as coisas boas das etinias não-brancas foram-se esvaindo, esvaindo … e a única coisa que que a parte escura da minha herança me deixou foi essa nhaca de preto. Sabe aquele fedor que todo mundo que tem que entrar em ônibus lotado ao meio-dia em Salvador da Bahia conhece bem? Esse aí mesmo! Nessa de limpar o sangue só me sobraram duas sílabas: cêcê!

domingo, agosto 05, 2012

Medo

Nesses ultimos dias tenho acompanhado minhas plantinhas crescendo. Meu tomateiro e meu pé de pimentão deram flores. E eu pensando, puxa visa, nao sou uma total incompetente. Será que vou colher frutos em breve?
Mas ao mesmo tempo, quando paro pra pensar mais profundamente no assunto de plantar e colher, tenho medo.
Essa semana fui com meu marido a Plymouth, a cidade iniciada pelos peregrinos que fugiram da perseguição religiosa na Inglaterra.
Eles tem uma vila chamada Plimoth Plantation, que recria a vida em 1627. Cada familia tem sua casa, cada casa seu jardim. Eles platavam e comiam do fruto do seu trabalho. Nao existia luz eletrica, nem telefone, nem shopping center. Mas todos tinham o que comer, o que vestir, e com que se proteger do frio. Eles aportaram ali em 1620, numa terra deserta (pois o indios locais haviam sido dizimados por doenças), e em menos de 7 anos tinham uma vida auto-suficiente.
E nós? Dependemos tanto da fragil tecnologia que nos cerca. Que fariamos se a eletricidade de repente nos faltasse? Nós perdemos toda a habilidade de sobrevivencia que nossos antepassados tinham e dominavam tao bem.
Nossa vida é mais fragil hoje do que era nos idos de 1620? Temos curas para muitas doenças, controlamos melhor a natureza, mas nao por nossas proprias habilidades. Se a nossa adorada eletricidade nos faltar, que nos resta? estamos acostumados a uma vida de conforto, e esquecemos que a qualquer momento ela pode ruir. E se ruir, que nos resta?
E para que ir tao longe? para que voltar a 1620?
Minha bisavó certamente levava uma vida bem mais autosuficiente que eu. Minha bisavó certamente tinha muito mais conhecimento de como sobreviver do que eu. Como será que em tres geraçoes todo esse conhecimento, que era passado de pais para filhos se perdeu? Conhecimento de geraçoes ... se perdeu porque a teconologia atual o fez desnecessario. Mas a teconologia atual vive, literalmente por um fio. e se o fio se romper? qual despreparados estamos para sobreviver? Nao sabemos mais tratar animais para consumo proprio. nem plantar hortas de subsistencia - na escola aprendi que quem fazia isso era o caipira pobre. Nós gente da cidade grande praticamos a cultura de subsistencia no supermercado. sequer sabemos fazer nossas proprias roupas.
Tenho medo - medo de que tanto conhecimento precioso esteja perdido para sempre. E que um dia precisemos dele.
Como queria trazer de volta a tradiçao de passar tradiçoes e conhecimentos de pais para filhos.

domingo, julho 29, 2012

Começo angustiante

Minhas férias desse ano começaram com uma viagem ao aeroporto. Uma viagem num dia chuvoso após um fim de semana angustiante. Então comecemos pelo fim de semana angustiante.

JP e Tia Léa iriam sair do Brasil na sexta de noite, chegar em Washington sábado de manhã, e ter um fim de semana intenso na capital americana, cheio de visitas a museus e monumentos. Eu tinha preparado o itinerário deles todinho junto com JP, e Tia Liana estava lá esperando por eles. Ela seria a anfitriã do passeio.

Mas sexta de noite, recebi uma mensagem de Tia Léa dizendo que a conexão São Paulo-Washington sairia atrasada por um problema na aeronave. Iriam chegar em DC com seis horas de atraso.

Poxa. Que chato. Vai ser um dia espremido

Horas depois, mais uma mensagem de minha tia avisando que o vôo foi cancelado. Eles estavam sendo levados para um hotel e só sairiam 24 horas depois.

Vinte e quatro horas depois? Um dia inteiro? Metade da viagem perdida? Nesse momento, eu, que tinha passado dias no telefone com JP planejando cada passo deles na capital americana, senti uma revolta angustiante! Tanto planejamento pra sair tudo errado!

Mas, tudo bem. Eles teriam o domingo. JP estava aproveitando o tempo no hotel, olhando o roteiro e resolvendo o que pular.

O problema é que a essa altura, eu não tinha cabeça pra mais nada. Ia passar o sábado faxinando a casa e deixando tudo pronto para a chegada dos dois na segunda de manhã. Mas, na angústia da espera por notícias, nem meu almoço terminei. A essa altura, se cruzasse com um funcionário da United na minha frente, enchia ele de supapo.

Sábado a tarde veio a bomba. O vôo so sairia domingo de tarde. Essa notícia sepultava de uma vez por todas a viagem a Washington. Segunda, às seis da manhã, eles deveriam pegar o vôo para Bradley. Portanto não iam ter mais tempo de ver nada de Washington. Nem museus, nem monumentos, nada.

Minha frustração era tanta que a essa altura nem precisava ser funcionário da United, bastava respirar para ser uma vítima em potencial de meus supapos. A viagem planejada com tanto carinho estava cancelada.

Ao ver meu desespero, Dean tentou em vão resolver o problema do vôo. Ligou para a United e tentou encaixar minha Tia e meu irmão em qualquer vôo que saisse de lá pra cá, em qualquer linha. Não havia vôo algum com vagas.


O domingo foi vivido na angustia de esperar que o vôo de fato saisse para que eles agora não perdessem o vôo aqui pra casa. Se isso ocorresse, aí que a cobra ia fumar. Nem à igreja eu fui, na angústia e na expectativa de receber notícias. Lá pelas tantas, lembrei que a casa ainda estava uma bagunça.

Dean, que estava sendo um anjo comigo, me ajudou a faxinar sem reclamar. Milagre? Não! Ele sabia exatamente o estado de nervos em que eu me encontrava.

Quando soube que eles haviam embarcado, com uma duas horas de atraso, descansei. Descansei um descanço cansado, decepcionado. Aquele descanço que todo brasileiro descansa depois de uma derrota em jogo eleminatório na copa do mundo. Esse sonho acabou. Até a próxima vez. Meu consolo era saber que vinha por aí ainda outra parte da viagem. A nossa parte. E, se Deus quisesse, essa sairia direitinho. Vamos dormir. Segunda feira é outro dia.

Domingo que vem eu continuo...



terça-feira, julho 24, 2012

Volta das férias

Sim, estou de volta das férias. De volta à vida real. Sempre que volto das férias parece que estou acordando de um sonho. Os momentos maravilhosos vividos, cumprimento do planejamento de um ano inteiro - agora apenas eternas memórias. Até mesmo as horríveis esperas nos aeroportos e os desagradáveis vôos são lembrados como parte desse sonho.
Esse ano foi especial porque parte dessas férias foi a vinda de meu irmão pequenno e de minha tia aqui aos Estados Unidos.
De toda forma, infelizmente, estou de volta a vida real. Férias são a única coisa que me faz acordar de manhã e que me faz aturar um dia de trabalho. Eu mantenho em mente que cada dia de trabalho me ajuda a pagar por um pedacinho das minhas preciosas férias. Então agora, agora que estou de volta a vida real, estou também de volta ao planejmento e à contagem regressiva para féiras 2013.

Devo desculpas aos meus leitores. Desapareci dos blogs sem oferecer justificativa por pouco mais de um mês. Mas é que tento não alardear na internet que não estou em casa. E, infelizmente, quando viajamos, a ineternet nem sempre é das melhores. E, quando, além disso, quando se tem cargas horárias de 20 horas por dia, como nós temos em nossas férias, sobra muito pouco tempo para escrever, editorar e postar blogs.

Isso de forma alguma é desculpa para minha falha em manter um diário. Eu deveria absolutamente registrar todo e cada dia de minhas férias, considerando o quão preciosos são para para mim. Eu preciso ter um registro desses dias. O que fiz, como me senti, o que comi... especialmente o que comi! Mesmo que quando eu chegue no hotel faltem apenas quatro horas para sair de novo, eu deveria tirar uns minutinhos para escrever uma reflexão daquele dia.

Estou fazendo aqui e agora uma promessa. A partir dessas próximas féiras, é isso que farei. Mas por agora vou me limitar a registrar, da melhor forma que puder, cada dia das minhas férias.

Prepare-se. Até domingo!

domingo, junho 10, 2012

Eu acredito

Eu acredito no direito de todas as pessoas de tomarem uma posição contra ou a favor de assuntos polêmicos. Eu acredito que todos nós temos o direito de tentar, através de argumentos, de forma coerente e civilizada, defender nossas posições e tentar convencer outros, através de argumentos. Eu acredito que ninguém tem o direito de humilhar outra pessoa por suas convicções pessoais.

Infelizmente a intolerância existe. E a intolerância parte de todos os lados. É muito fácil chamar uma pessoa de intoletante porque ela se recusa a acreditar na validade do casamento homessexual. Mesmo que essa pessoa esteja usando os meios democráticos de forma respeitosa e civilizada para convencer outros de seu ponto de vista. Uma pessoa que expressa uma opinião considerada impopular é agora acusada de intolerante - simplesmente por expressar sua crença pessoal.

Por outro lado, nossa sociedade atual nos tenta convencer de que certos grupos estão acima do bem e do mal. A comunidade gay, por exemplo, é feita de pessoas tolerantes e amáveis, pessoas possuidoras de bom gosto e de uma doçura sobrehumana. É como se o ser gay transformasse qualquer pessoa num cidadão modelo. Se você acha que os gays são tolerantes por serem gays, tente explicar o que aconteceu quando tentei explicar minha crença pessoal para uma pessoa que eu considerava um amigo de muitos anos. Primeiramente deixando claro que respeitava seu direito de cidadão de fazer o que a lei lhe permitisse, expliquei que minha religao tinha certos parâmetros pelos quais eu me guiava para entender o certo e o errado. Expliquei que, dentre uma miríade de outras coisas das quais eu também era culpada, o comportamento sexual era também considerado errado. Expliquei que isso jamais me impediria ter amigos que tivessem tal comportamento. Essa pessoa, sem minha autorização, tomou o meu nome e minhas palavras, e colocou as em discussão pública, chamou-me de mentirosa e ridularizou minhas convicções. Outras pessoas curtiram. Então que temos aqui? Humilhação e ridicularização pública agora é válido - claro, desde de que venha de um homossexual contra uma pessoa religiosa que ouse expressar sua opinião.

Agora pergunto - alguém que ridiculariza uma pessoa em público exbindo uma conversa particular feita com a maxima civilidade merece ser chamada de amigo e de boa gente? De amigo eu não o chamo mais.

Intolerância - atitude da qual as pessoas de linha mais conservadoras são sempre acusadas - vem inúmeras vezes das pessoas que se dizem mente abertas. Elas crêem que elas têm o direito de ter sua opinião. Mas só elas. Não é engraçado? Se alguém tem o direito de não ser vítima de buli por ser gay, outros não tem o direito de não ser vítimas de buli por terem uma religião que crê que o homosexualismo é um erro? Tolerância só serve pra um lado?

Certa feita fui acusada por uma professora de ser religiosamente intolerante. Ela sequer ouviu meus argumentos. Quando abri a boca para dizer que havia um erro no teste, ela me disse que eu deixasse de ser intolerante e que deixasse minha religião do lado de fora. Tudo que eu queria explicar a ela era que, na questão da prova que pedia que comparássemos o texto (uma fictícia conversa entre Deus e o homem no momento da criação do mundo) a resposta correta era "livro de Gênesis" e não "Novo Testamento". A professora poderia ter aprendido nesse dia que o livro de Gênesis e não o Novo Testamento fala sobre a criação do mundo. Mas preferiu humilhar a aluna religiosa em público sem sequer saber o que ela tinha a dizer. É claro, porque obviamente tudo que vem da boca de um evengélico é intolerância e não é digno de respeito. Então por que ouvir?

Esse é o mundo em que vivemos.

A verdade é que todo mundo é intolerante de alguma forma ou em algum grau. Isso porque todos nós temos certos valores sobre o certo e o errado e nem sempre sabemos lidar com pessoas que que tem parametros diferentes. Mas os que se auto-intitulam pro-tolerância são, em geral, de todos os mais intolerantes. Algumas pessoas gostam de humilhar os outros. E essas pessoas podem ser religiosas, podem ser gays, podem ser de qualquer raio de posição nesse mundo.

Ser tolerante é aprender a lidar com o diferente. Algumas pessoas aprendem que é preciso respeitar outros enquanto seres humanos apesar de termos valores e visões de mundo diferentes. Aprendem que não precisamos concordar, apenas respeitar outros enquanto cidadãos de sociedades democráticas, onde o direito de discordar não é um privilegio de grupos especiais - é por isso que se chama direito e não privilégio. Será que um dia todos poderemos entender isso? Entender e viver?

Viva como se cresse no direito das pessoas de ter opiniões diferentes e de poder argumentar em favor delas. Viva como se cresse no direito das pesoas de discordarem completamente de você, mas de terem o direito de fazer isso. Argumentação é uma ferramenta que todos nós temos ao nosso dispor. É um direito de todos que possuem opiniões. Mas requer respeito mútuo.

Viva. Falar é fácil. Viver é muito mais dificil. Viva uma vida que desmonstre o respeito que vc exige dos outros.